Laila

Quando você conheceu a Lara?
Laila- Éramos muito pequenas ainda, nem me lembro direito. Acho que nós duas temos personalidades e histórias completamente diferentes, e acabamos nos completando. Exceto, é claro, pelo fato de que nenhuma das duas nunca se deu bem com outras meninas, sempre fomos as amigas dos meninos.
E como você conheceu o seu amigo, Land?
L- Quando eu o atropelei. Ele tava de visita pela cidade, tava meio perdido e atravessou a rua de mau jeito. Acabei sendo a guia turística dele e a salvadora de gafes e outras situações potencilamente humilhantes. Mas, quando nos conhecemos, acabamos ficando muito amigos e muito ligados. Sinto mesmo como se ele fosse um segundo irmão meu.
Quando você descobriu sobre sua tataravó, como se sentiu?
L- Na verdade, aliviada. Eu não era uma aberração nem nada inexplicável, aliás, nada perigoso, tão pouco. Era apenas uma herança. Ainda assim, eu até cheguei a querer me matar, algumas vezes, mas nunca cheguei realmente a pensar em agir.
Você deixou de fazer alguma coisa quando descobriu sua origem?
L- . Brasileiro tem genes bagunçados, e a questão da origem não me espantou. Aliás, acho que, nessa história toda, a única coisa que não me espantou foi isso. E o Land já me explicou que nem é mesmo herança genética, é só um acaso dos acasos.
Mas você mudou algum dos seus hábitos depois?
L- Olha, de início eu passei por um certo pânico, ficava só em casa, com medo de algo ruim acontecer. Até o terceiro dia, que o Land praticamente me arrancou do meu quarto e me fez fazer compras. Tadinho, ele detesta shopping, mas foi um bom dia. Até porque, eu ia acabar saindo aquele dia mesmo. Lembrei que podia ser perigoso ficar em casa também, então, eu teria de conviver com a situação.
E quando você descobriu a origem do seu amigo, Land, mudou algo no relacionamento de vocês?
L- Também não. Na verdade, somos quase que dois renegados das nossas origens, então, basicamente, nada mudou. Mas que eu preferia nunca ter conhecido o irmão mais velho dele, ah, isso não há dúvida!
Por que não?
L- Converse com o arrogante e você vai saber o porquê.
As pessoas começaram a te tratar diferente depois do dia da briga?
L- Nem havia visto as pessoas envolvidas nos 3 dias seguintes, como eu comentei, mas quando eu voltei, acabou que não, o Land havia dado uma acalmada nas coisas. Minha irmã, Nádia, e a Lara é que ficaram meio estranhas comigo, mas conversamos e passou. Agora, basicamente, está tudo bem.
Mas, afinal de contas, algo mudou na sua vida desde então?
L- Na minha vida normal, não. Quanto à outra vida que agora eu tenho, bom, não mudou, afinal, acabou de começar...

Ex - pequenos roteiros

- O que você...?
- Paulo!?
E ainda eram aqueles olhos negros que me sugavam, e me faziam não conseguir mentir pra ela.
- O Léo tava dando pinta quando te vi, aí achei melhor ficar perto de uma mulher pra evitar os beliscões...
Ela olhou com aquela cara de tédio. Ou seja, o Léo também a chamou pra lá.
- E eu achando que ele queria...
- Que o Matheus conhecesse o namorado dele?
Ela ri. Olha em volta. Sei que ela ficou sem graça. Ela tinha um temperamento imprevisível e totalmente espontâneo, até começar a sair com ele. Ainda não sei se conto o que sei do Matheus pra ela. Então, ela sorri, moleca.
- Bom, achei que ele queria que o meu noivo- que facada! e ela sabe disso- ficasse sem graça numa boate gay...
Ela esboça um sorriso, amarelo, ou seja, era óbvio quem se aproximava. Matheus já chega agarrando e beijando Sandra. Quando pára de “sugá-la”, ele me cumprimenta, cínico como sempre, e eu, mais ainda.
- Oi, Paulo.
Apenas sorri. Léo acena e a irmã vai encontrá-lo, com jeito de "não se matem até eu voltar, falou?".
- Linda, não acha? Ah, desculpe. Eu sei o que você acha.
- Já marcaram a data?
- A mesma que a sua. - Me doía menos saber essa data quando a noiva era ela... Nessas horas eu gostaria de viver num mundo sem promessas em nome de outros... Uma vida normal, tediosa e sacal era a única coisa que eu queria.
- Se ela soubesse o que eu sei...
Eu falei isso em voz alta?! É, falei, pela cara sombria de Matheus.
- Se ela soubesse, eu ficaria mais preocupado com o que aconteceria... com ela.
COMO É QUE É?! Não tenho certeza se falei mesmo isso, mas pelo sorrisinho maldito na fuça dele, pelo menos o meu rosto falou.
Sandra volta, ele a agarra pela cintura e a leva embora. Na minha época, eu teria sido massacrado por essa atitude. Ver o brilho dela se apagando era terrível, pra mim. Léo e Billy (o namorado de Léo) se põem ao meu lado, com a mesma expressão de irritação que a minha, a música aumenta, e pelo olhar que Sandra lança em minha direção, eu vejo que o abismo entre nós se tornou um oceano quase intransponível. Antes, eu me afastaria, achava que ela estaria segura com ele.
Mas não mais.

Com uma mãe dessas... - pequenos roteiros

No meio do “almoção” de família, minha mãe resolve berrar pra minha tia lá do outro lado da mesa "Você sabe o que a sua afilhada andou aprontando?". Já não tinha sido humilhante o suficiente a conversa que tivemos no dia anterior, quando ela descobriu tudo?
Tudo começou com o relacionamento perfeito, o cara mais perfeito do mundo! Nem sei como eu consegui namorar um cara tão, tão TUDO que nem ele! Ele era tão, TÃO que, um dia antes de terminarmos, eu ia me mudar pra casa dele. Tudo suuuuuper bem planejado.
Eu sairia de casa pra escola, normal, e levaria uma muda de roupas e de coisas mais-que-essênciais na mochila. Depois, a Li buscaria todo o resto das minhas coisas lá em casa, antes dos meus pais não chegarem. Afinal, eu não arriscaria dos vizinhos me verem com uma mala pro carro do meu namorado e saírem perguntando um monte só pra fazer fofoca mais tarde. E viveríamos felizes para sempre. Lindo, não?
Claro, a casa do Edu fica a 25 quilômetros da minha, daria tempo dos meus pais se acalmarem e lerem com cuidado a cartinha super fofa que eu deixei dentro da minha gaveta de sutiãs, mas que eu pediria pra Li colocar em cima da mesinha da sala. Todos os meus planos de uma vida perfeita desabaram quando eu descobri que ele não estava namorando SÓ comigo, e terminei tudo, numa briga horrorosa! Ainda tive que agüentar minha mãe, no dia anterior ao do "almoção".
Ela tinha comprado uns sutiãs novos para mim, maravilhosos, por sinal, e foi deixar o pacote de presente dentro da minha gaveta de... sutiãs. Não preciso dizer o que ela achou por lá, né? Nem que ela deu um ataque, que tirou satisfação com o Edu, e, pra humilhação ficar completa, ela ainda conta essa história toda para a minha tia, lá do outro lado da mesa, bem alto, na frente de todos os meus primos gatinhos! Fala sério!
Ah, sim. Ela também descobriu e me fez tirar a tatoo que eu tinha feito em homenagem ao meu recente-sapo. O escândalo no tatuador deve ter entrado nos anais da história do bairro. Aff!

Um beijo necessário - pequenos roteiros

- Por que você fez aquilo!?
- Do nada, a garota mais popular da escola quer namorar com você e "tu" não acha estranho, não?
- Ah, claro, a Carol NUNCA se interessaria por mim...
Queria muito que sim. Sou amiga do Beto, e só quero ele feliz. Agora, que eu tô apaixonada por ele, mais do que nunca, mas era só um plano ridículo da Carol pra magoá-lo.
- Deixa de ser irritante, garoto! Ela também te fez sofrer "bullying", como todos aqueles idiotas da escola!
- "Péra" aí! Você sabe que eu nunca liguei pra essas brincadeiras...
- Não é brincadeira, Beto! É crueldade!!
E teria sido pior se eu tivesse permitido que o plano "mais-que-idiota" da "cobra Carol" continuasse.
- A escola toda tá na festa da minha namorada e você me tasca um beijo no meio da galera pra me proteger, Nanda?!
- Claro! Eu ficaria até pelada na frente desse povo todo, se fosse preciso!
- Foi SÓ pra me proteger que você fez isso? Anh, não...
- Nanda?
Droga, ele sacou que eu sou a idiota das idiotas, que eu tô apaixonada por ele há tempos! Ele deve tá me achando uma cobra, uma falsa, fingida! Beto pega na mão de Nanda. Aproxima o rosto do dela. Nanda sai correndo, ele corre atrás.
- NANDA!!
Nanda se vira em direção a ele, estática.
- O que vamos fazer?
Beto ri.
Ele também fica lindo rindo, mas devemos ser só amigos, mesmo que beijá-lo tenha sido a melhor coisa que já fiz...
- Por hoje, vou te levar pra casa, que tá tarde. E pra nenhum lobo mau te atacar pelo caminho!
- Nem esse que tá me abraçando agora?
-"Nã". Você sabe que tô mais pra chiuaua!
E os dois saem, rindo, como sempre fizeram.

Períodos de conexão

Eu tenho de ficar tempos e tempos às vezes, sem me conectar de forma alguma com os meus amigos, "meus iguais". Ninguém lá é igual a mim, e ninguém no caos tem essa condição. Se eu entro em contato muitas vezes com os infernais, como a rainha Ciano mesmo diria, "sobras e migalhas são os melhores rastros". Em outras palavras, eles me encontrariam no caos. Só que, ao mesmo tempo, já disse para a Bia, uma amiga daqui mesmo, que ela pode usar esse espaço o quanto quiser. Os puros não me encontrariam pelo espaço cibernático, ela não consegue entender como, e eu já desisti de explicar que o que interessa é mais a cor do que o tal do ip. Do que ela pode entender disso afinal? Os infernais me mandam mensagens cifradas para parar de falar (comunicar, pra vocês), e eu páro. Agora, descobri um jeito óbvio de continuar. Escrever a mensagem 2 dias antes, e a Bia escreve por mim quando esfriar. Vai demorar do mesmo jeito, mas essa mensagem já deve ser ela escrevendo, Ciano. Mande abraços pra todos aí, se puder. Quando puder, me avise quando o pássaro vai chegar perto daqui. Só lembrando, que daqui a 5 dias eles têm uma data comemorativa, e uma semana depois (sim, estpu falando pelo tempo daqui) terão outra. Têm seus tempos de conexão também, pelo jeito. Nós só nos falamos agora pelos meios de vocês mesmos, infernais, e eles parecem só se falar nessas datas específicas. Natal, aniversário (que parecem a mesma coisa no significado, afinal) e dias específicos de suas posições sangüíneas (aqui, é importante). E, no resto do tempo, apesar de eu ainda não ter notado o impedimento-base, eles não se comunicam. O caos é o único nome que talvez, mesmo ao acaso, faça sentido. É o que tem me preocupado. Se é mesmo ao acaso.

Sobre mim...

Pra começar, era pra eu estar morta. Sou a última caçadora. Não se morre por aqui, mas se mata. Meus pais morreram pouco antes do tempo das minhas tatuagens. Então, fiquei pulando entre todos os outros tipos daqui, passei mais tempo entre os campestres, e conhecia alguns dos piratas, por mais que ninguém mais quisesse assumir a existência deles. Devia ter ficado mais tempo entre eles, já que viemos do mesmo tipo. Comemos o que caçamos (carnívoros, como vocês diriam).
Sempre quiseram me matar, já que a minha cor é o violeta. Isso não é bom, numa terra onde se deseja o mínimo de luz possível. "Miss Purple" é o meu título pois violeta e todas as cores muito cheias de luz são a minha cor-base. Tenho todos os tipos de tatuagem, e a minha tatuagem de origem mostra que eu sou mesmo uma caçadora. Fiz questão de marcar o meu olho com a mancha felina, e em todos os eventos levo as peles que eu cacei. Passei mais tempo entre os animais assim que meus pais foram mortos. Sou boa caçando, mas nunca saberei se sou a melhor.
Normalmente, eu me dou bem com quase todos. Quase, leia-se "os puros". Se eu não tivesse aparecido e dado a minha cara à tapa, como vocês costumam dizer, os piratas continuariam no seu retiro. O que, dizem os puros, mais os afronta é porque os caçadores, entre eles e sozinhos (agora, quando eu estou só e quando vou caçar) não cobrem os olhos nem os narizes. Os piratas, como nós, ou eu, também enfeitam as orelhas e a boca. Além, é claro, de comermos carne ao invés de usarmos os alicerces. Tudo uma afronta para os puros. Mas se não fosse um pedido de casamento do herdeiro, talvez eu não tivesse que saber deles, e ainda pensaria que meus pais foram comidos pelos últimos campestres canibais que existiam. Às vezes, não cubro a garganta em grandes aparições públicas.
E, quando me jogaram no caos, não achei nada demais. Creio que, em tese, estou morta para os do meu povo. Mas os infernais sabem que não. Então, ele também sabe.

A chuva que corre atrás

Quanto mais você tenta escapar, mais rápido ela chega. Lembra bastante o que se passa por aqui com os insetos. Maior o movimento que você faz para tentar escapar deles, maior parece que é a vontade deles de continuar te aborrecendo. Você foge e foge o quanto pode, mas eles percebem. Essa chuva é estranha, e ocorre por essas terras com bastante freqüência. De um lado do cômodo, o dia esta ensolarado (ou enluarado), do outro, está chovendo que parece que o céu vai cair sobre você com toda a força. Quando você sai, tenta se proteger com tudo que pode, então percebe que não passa de uma garoa que mal molha. Quando você entra em algum local seco novamente, percebe que está completamente molhado, mas não encharcado. Estranho. Pensei que não veria nada surpreendente assim por aqui, um local tão parado, mas me deparei com essa estranha chuva que, ainda por cima, não dá aviso algum e, às vezes, por maior que seja o temporal, ainda se olha para o céu e percebe-se que não há nenhum traço de nuvem alguma, apenas um sol escaldante e uma extraordinária paisagem de água caindo não se sabe daonde. Apesar da chuva ter começado a correr atrás de nós, foi um dos melhores dias da minha vida.